A Mari-Jô Zilveti levantou a lebre e, pra variar, estou comprando a idéia. Ela está incentivando o debate sobre redes de relacionamento móveis, inspirada num artigo do Times Online intitulado “The future of social networking: mobile phones”. O artigo é essencialmente sobre uma rede social alemã que está despontando pros lados de lá e que tem um approach futurista quase a lá Minority Report. O nome da gracinha? aka-aki.
Explicando resumidamente, o aka-aki é uma rede social baseada em dispositivos móveis, mas que também tem secundariamente uma interface web tradicional para computadores. No quesito móvel, o aka-aki é guiado via bluetooth, onde identifica (num raio de 20 metros) os usuários do aka-aki que se encontram nas proximidades. Assim, a pessoa recebe notificações em seu aparelho sobre a presença dessas pessoas, podendo conferir os perfis das mesmas. Muito interessante para paquera, mas também muito interessante para fins profissionais. Imagine-se em uma palestra em que conhece poucas pessoas. Seu celular poderá identificar a presença de outros membros aka-aki, você poderá conhecer um pouco da pessoa, ver inclusive seu cv, e resolver se um contato pessoal será interessante. Agente facilitador de networking puro.
Como mencionei, o aka-aki também é integrado à web tradicional. Assim, o usuário poderá conferir mais detalhes sobre a sua jornada diária, podendo mapear todos os membros do aka-aki que cuzaram seu caminho durante o dia. Aparentemente a rede também mostra quantas vezes você já esteve próximo a cada pessoa. No filminho abaixo dá pra ter uma dimensão melhor do que isso tudo se trata.
*O inglês do vídeo tem um sotaque alemão carregadinho e rapidinho, o que torna a compreensão um pouco chatinha aos desatentos, mas tudo bem.
Adorei! Mas também fico pensando nas N implicações de uma rede social dessas. Por exemplo:
1) No quesito privacidade deve ser meio estranho ou até mesmo perigoso ter sua vida exposta a estranhos. No entanto, acho que cada membro pode selecionar as opções de privacidade que deseja, o que deve tornar o uso um pouco mais seguro.
2) Ainda no quesito privacidade, acabou a pulação de cerca, rsrs. Se seu(a) namorado(a) disser que está num lugar, onde na realidade não está, facilmente você pode ter notícias de seu paradeiro, caso outra pessoa (ou você mesma(o)) se aproxime num raio de 20 metros. E atenção, a recíproca é verdadeira, so beware. Imagino até que o aka-aki poderá futuramente ser usado como álibi tb em casos de crime, rsrs.
3) Acho que para esses países de cultura um pouco mais reservada, um approach prévio via celula pode facilitar, e muito, o contato pessoal. Mas aqui no Brasil, ou o lance corre riscos de virar um samba-do-criôlo-doido, ou a rede pode ser uma piada. Brasileiro é cara de pau, não precisa fuçar perfil algum pra se aproximar, independente da finalidade. Mas que pode ser um agente facilitador de muita coisa, isso é um fato.
4) Imagine a geração que nascer com o aka-aki (seriam eles os aka-aki boomers? haha). Eles muito provavelmente se questionarão como as pessoas viviam sem o aka-aki. Quantos amores podem ter sido perdidos, quantas almas gêmeas desencontradas, quantas sociedades fracassadas, quantos negócios perdidos?
5) Por fim, acho graça pensar numa rede social móvel que seja tão evoluida a ponto de seu objetivo ser promover a interação face-a-face. Me soa um lance um pouco cíclico de a tecnologia evoluir tanto a ponto de voltar aos primórdios da comunicação.
6) Os comentários no artigo do Times estão relativamente interessantes. Falaram de isolamento, colaboração para mais stress, invasão de privacidade com propaganda etc.
Sobre outras redes sociais móveis pras bandas de cá, por enquanto os micro-blogs estão mais em “alta”, em especial o Twitter, mas tem tb o Jaiku, o Pownce e certamente um punhado de concorrentes. No Japão tenho notícias do Mixi Mobile, que é popularérrimo e que tem recursos de convites via QR Codes y outras cositas más. Já tinha ouvido falar de uma rede social oriental (não me lembro de qual país) num estilo meio aka-aki, mas dei uma pesquisada e não achei infos. Alguém aí sabe de mais detalhes?


Suzana, parabéns pela continuidade e proposta de levar essa discussão adiante. Minha passagem aqui é bem rápida, pois vou começar a entrevistar em minutos uma portuguesa, para inciiar um podcast em um portal de IT.
Quando escrevi o post do terremoto chinês na nossa sociedade que vive o espetáculo e o produz 24 horas, achei um twitter correspondente, usado pelos chineses. Eles também são usuários do Twitter, mas achei o nome bonitinho. É o Fanfou (http://fanfou.com/).
E por falar em chineses, qualquer número que leiamos desse país é espantoso. Um terremoto como o que aconteceu em Shihuan deixou um saldo de 68 mil mortos.
Depois volto para provocar a discussão dessas implicações mencionadas por você.
Beijo grande,
Mari-Jô Zilveti
http://nomadismocelular.wordpress.com
Também estou dentro. Apesar de esses “poréns” citados por você – onde aliás acho que temos vários outros, como mais uma co-dependência de tudo aquilo que envolve o meio virtual -, eu não conseguiria deixar de experimentar.
Abs
Mari-jô, fanfou é fofo mesmo. Beeem melhor que jaiku e youku (esse francamente, rsrs). Também acho uma loucura tudo que acontece pras bandas da China. E eles ainda conseguem censurar a internet… Aguardo suas “provocações”. Bjo!
Renato, estamos fadados aos vícios “pós-modernos” high tech… E mesmo sabendo disso, tb sei que não poderia deixar de fazer um test drive no aka-aki, o conceito é muito interessante.
Abraço
[...] Sobretudo com essa onda crescente de redes sociais móveis como o Google Latitude ou o Aka-Akis da vida. Estão inventando até um relógio familiar estilo Harry [...]