Inspirada na palestra do Luli Radfahrer, ocorrida no InterMinas, resolvi postar mais uma reflexão sobre os juristas do futuro. Cabe, antes de mais nada, recapitular a essência da palestra, para depois partirmos às divagações J+. O fato é: o Interminas foi um evento voltado aos profissionais da comunicação. Os profissionais da comunicação, por sua vez, são por essência – e por necessidade – uma classe profissional mais antenada e que deveria, ao menos, ter boa compreensão dos meios de comunicação de uma maneira, inclusive, antropológica. Pois bem, nosso quirido palestrante, puxou a orelha da platéia, colocando todo mundo para pensar no contexto atual da comunicação e das novas tecnologias, e do papel de cada um nesse processo. Uma verdadeira chamada para a conscientização do processo cyber-cultural de partilhamento e organização de informação via web, sem contar com o fator mobilidade. Assunto completamente atual e complexo, além de extremamente interessante. Apoio e concordo com toda a questão. Segue minha linha de pensamento, segue a linha do que posto aqui no Bricolagem. Mas entra aí um fato preocupante. Se os comunicólogos de um modo geral ainda não captaram a essência antropológica/sociológica desse processo, o que dizer dos outros profissionais, como os juristas???
Passemos, pois, a eles. A advocacia, especificamente, é uma profissão por essência conectada. Com o passar do tempo e com as evoluções tecnológicas, passou a requerer o uso do computador – e da internet – como ferramenta de trabalho, uma vez que o mesmo facilita a edição de textos, consultas processuais, comunicação nas mais diversas formas, dentre N outras. Os advogados, portanto, têm uma pré-disposição para compreensão da realidade cibernética e têm potencial para desenvolvimento de habilidades tecnológicas, já que a informática acaba fazendo parte de seu dia-a-dia. No entanto, o computador – como já falamos – é uma ferramenta de trabalho dos advs, e não um objeto de trabalho/estudo. Portanto, percebo cada vez mais o quanto seria interessante levar alguns conhecimentos de comunicação social e novas tecnologias ao universo jurídico, justamente pelo fato dos juristas poderem fazer melhor proveito dos recursos que estão por aí e do que está por vir. Como já havia comentado com o Gustavo D’Andrea, no artigo “A advocacia do futuro“:
“O trabalho que deve ser desenvolvido para eles [os advs] é de conscientização a respeito de como os recursos virtuais podem ser usados para potencializar o trabalho deles, no quesito imagem, corporativa ou pessoal. Falo corporativa porque os escritórios estão cada vez mais tomando forma de empresa, e pessoal porque, apesar dos escritórios estarem adquirindo esse caráter corporativo, o mais importante na advocacia são as mentes pensantes por trás das grandes bancas.”
Se “relembrarmos” os escritórios de 20 anos atrás, veremos que o cenário (no quesito computação) era bem diferente. Numa tentativa de resgatar essa memória, conversei com a queridíssima Rosângela Ataíde (vulgo Rosa), que há 21 anos era secretária de um importante escritório de BH e que continua atualmente respirando os ares jurídicos.
Segundo Rosa, há 20 anos:
“O serviço era todo concentrado na secretaria do escritório. Os advogados redigiam as peças à mão e as secretárias batiam tudo à máquina. Se o advogado alterava alguma coisa no meio do documento, tinha que datilografar tudo outra vez. O grande problema era quando apareciam os contratos internacionais, que tinham 2 colunas: uma em português e outra em inglês. Sem saber inglês e, sem ter noção da língua, o momento era de tensão, já os erros eram inevitáveis.”
Ainda de acordo com Rosa, os principais meios de comunicação do escritório com o mundo exterior eram o telefone e o telex. Para quem não tem noção, o telex era uma “engenhoca” que transmitia informações para, por exemplo, os clientes, através de um mecanismo de fitas perfuradas em código (como braile) que representavam letras e caracteres. Na ocasião, inclusive, havia a profissão de operador de telex.
“Depois vieram os computadores (carroça!), mas eram raridade e disputadíssimos. Só tinha um computador no escritório, que ficava na secretaria. Quase tudo ainda era feito à máquina, como a tarefa corriqueira de subscritar envelopes”.
Pois bem, advs, vão ficar parados no tempo? Muita coisa evoluiu de 20 anos para cá e vocês não ficaram parados. Agora MUITA coisa também mudou de 5 anos para cá e está na hora de acordar! Antes que o tsunami passe… rsrs
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[...] disse Suzana Cohen, a classe dos advogados é conectada por essência, mas possui uma certa dificuldade [...]
[...] Como disse Suzana Cohen, a classe dos advogados é conectada por essência, mas possui uma certa dificuldade de abraçar as tecnologias que afinal sejam úteis ao seu trabalho e sucesso. Ela fez uma pequena pesquisa em meados de 2008, compondo um quadro contrastante entre as máquinas de escrever e papéis de 20 anos atrás e os computadores e a web 2.0 hoje. Clamou para que os advogados despertassem para a tecnologia, para o próprio bem deles. Foto: "Simplicidade", Delcio G. P. Filho, Flickr, licença CC-BY [...]