Li uma colocação interessante. Ricardo Neves, consultor da Época, considera que “o carro vai ficar tão barato que só pagaremos pelo uso, e não mais pela compra, como aconteceu com as linhas telefônicas”. A colocação foi feita com base na observação de que os carros têm ficado cada vez mais baratos e/ou fáceis de comprar. E que, por outro lado, os pedágios, estacionamentos, taxas ambientais, combustível, seguro etc, só aumentam seus valores. Ao que tudo indica a tendência seria de que se criassem companhias que explorassem o uso dos carros: elas forneceriam o modelo de automóvel para o usuário de graça (ou quase de graça), mas em troca o indivíduo deverá abastecer, fazer a manutenção, pagar o seguro etc etc etc nas bandeiras desta mesma companhia, gastando um valor mínimo mensal com a dita “viatura” (seguindo o mesmo movimento das operadoras de celular).
Resta saber o que acontecerá com o trânsito com tantos carros nas ruas (sem falar da questão ambiental!). Atualmente o problema já está crítico. Vide São Paulo: 221 Km de engarrafamento. Pode?
“A velocidade média nas grandes vias cariocas caiu mais de 70% nos últimos 10 anos” – Fernando MacDowell (Época, 17/03/2008)
É paradoxal demais viver em uma sociedade cada vez mais imediatista, onde a troca de informações acontece quase que na velocidade da luz, e ficar horas presa no trânsito. No trabalho você resolve em questão de segundos problemas que há 20 anos demorariam uma semana. Vivemos a era da informação, onde uma semana de notícias em um jornal tem mais informações do que uma pessoa teria acesso em uma vida inteira no século XVIII. Mas na mesma medida em que a tecnologia avança de forma exponencial e as distâncias virtualmente se encurtam, o trânsito piora de forma exponencial. Na hora de fazer o trajeto moradia-trabalho ou onde-quer-que-queria-ir, as pessoas estão fadadas a voltarem ao século XIX e andarem na velocidade de CHARRETE. É mole?
“O futuro das cidades está intrinsecamente ligado à tecnologia de transporte” – Edward Glaeser, universidade de Harvard
Só mais um parêntesis: o trânsito, assim como a internet (vide rompimento de cabo submarino que afetou a internet na Ásia em jan/fev, último), tem suas fragilidades , “com tantos carros na rua, qualquer imprevisto faz a cidade entrar em colapso” (Época, 17/03/2008).


Que carro está mais fácil de compra, é fato. Agora, que ele está mais barato, eu discordo. Trinta mil reais em um carro popular é barato?
Será bom quando o transporte público (principalmente metrô) melhorar suas condições e expandir sua área de atuação.
Aí quem sabe todo mundo resolve andar de bicicleta e, assim, ajudar o meio ambiente.
Zé, quando me refiro a carro cada vez mais barato, falo daquele modelo indiano, o Nano, que promete custar US$2500,00, e seus possíveis concorrentes.
E a junção “metrô que presta” + bicicleta é ótima! Só que deve demorar, né?
Vai demorar bastante viu…
Olá pessoal!
Suzana, seu blog está ótimo. Essa questão do transporte é muito interessante, daria para debater bastante sobre o assunto. Quando pensamos num mundo em que a velocidade e a quantidade é sufocante, ficamos realmente preocupados com o que aconteceria se as coisas ficassem menos caras – como os carros. Mais trânsito caótico, mais poluição, mas acidentes talvez.
Mas, podemos também pensar num lado positivo. Já assisti a documentários sobre pesquisas com carros menores e não poluentes. Cada vez mais está havendo a preocupação de se adequar a indústria automobilística com a sustentabilidade do meio ambiente. Isso provavelmente ocorrerá com mais vigor em breve, porque as próprias pessoas estão, a cada dia, vendo como é importante preservar nossos recursos naturais, e preferirão produtos que atendam a isso.
Outra coisa: quanto mais barato se torna o transporte, maior a viabilidade de se “revolucionar” o transporte coletivo. Combinando isso com serviços e publicidade, poderá chegar um momento em que o transporte coletivo vai ser muito mais fluido (e quem sabe gratuito, ou pelo menos bem barato), as ruas terão menos carros particulares e o tempo – que para todos é algo muito precioso – poderá ser melhor utilizado… sem contar que muito estresse será evitado com isso.
Suzana, voce tem razão. A tecnologia de transferencia de informação permite o envio de “toneladas” de informações à velocidade da luz (e as toneladas são literais, sem as aspas se considerarmos o papel, vinil, filme fotográfico que teria que viajar e não precisa mais ir materialmente junto). Enquanto isto, o transporte de MATÉRIA engatinha, e por mais rápidos que sejam os aviões, trens-bala etc, estamos rastejando.
Este É o maior desafio da ciência/tecnologia: levar massa em alta velocidade. Eu disse É? pois menti: ERA o maior desafio!! pois a partir de 2004 a Física deu o passo inicial: (consulte) http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/3811785.stm
Já é possivel fazer o teleporte (ou se preferir, teletransporte) de átomos (por enquanto apenas átomos) à velocidade da luz. Explico melhor e rápidinho. O que viaja, é a informação completa de todo o estado (magnético, grau de excitação energética, estado de ionização etc) de um átomo que está AQUI, que acaba sendo transferido (informação do estado exata) que é passada a um outro átomo que está ALI… Voce dirá, mas ISTO É UM CLONE! (e é!). Mas não paro por aqui. O próprio átomo original pode ser desmaterializado AQUI, por conversão de massa em energia (conversão de matéria + anti-matéria em radiação gama, exemplo eletron + pósitron => gama, ou proton + antiproton => gama) e ser levado para ALI, onde pode ser remontado, e em seguida, pegar do seu clone o estado teleportado, e sair de fininho… lá do outro lado – daqui na Lua em 1 segundo. Basta desenvolvermos essas máquinas.
Para encerrar, vai aí uma analogia: uma blusa tricotada de lã é lida por uma máquina que copia a fórmula da tricotagem (movimento que as agulhas fizeram para tricotar). Essa formula pode ser teleportada pela internet. Em seguida a blusa é destricotada e a lã reage com uma anti-lã e a radiação gama resultante viaja LITERALMENTE à velocidade da luz. Do outro lado, duas agulhas retricotam a bblusa.
No meu Curso do Einstein falarei de coisas do genero
Aba Persiano
Departamento de Física-UFMG
[...] minha inspiração também teve origem do post da Suzana Cohen. Vale a pena também refletir sobre a entrada de novos produtos/serviços em um país – já estou [...]
Olá, Aba.
Acho a Física algo sensacional, e o seu comentário foi realmente muito interessante. Posso perguntar uma coisa? Para o teleporte, então, seria necessário o dobro de matéria, metade AQUI e metade ALI? Porque, pelo que entendi, são transportadas não as coisas em si, mas as propriedades dessas coisas.
A minha dúvida surgiu especialmente a partir do exemplo da blusa de lã. Na analogia, a blusa precisaria ser re-tricotada no lugar de destino, o que levaria o tempo das agulhas fazerem o trabalho… para mim, isso não parece mais do que acontece em qualquer grande fábrica, nas suas linhas de montagem – as fábricas de carros são um exemplo; a impressão de jornais estrangeiros em São Paulo seria outro exemplo. A fórmula, a que a senhora se referiu, lembra-me muito os programas de computador, que determinam como as máquinas das fábricas irão trabalhar.
Mas a senhora também fala que a própria matéria pode ser teleportada. Então tenho outra pergunta: quando o objeto é mais complexo, como um novelo de lã, ou uma blusa de lã, depois de ser desmaterializado vai manter as suas ligações e formato quando chegar ao destino e for remontado? Existe pelo menos a crença, entre os físicos, de que isso seja possível?
Olá Gustavo – voce também tem o mesmo problema de nome que eu: voce é D´Andrea e eu sou o Professor Aba – muita gente faz essa confusão e eu me divirto muito. Vamos às suas dúvidas:
(1) O DOBRO DA MASSA? – na realidade, no atual estado das possibilidades a massa tem que ser o TRIPLO, já que além do átomo A, a ser transportado, precisamos do B (que guardará as informações originais de A, localizado preferencialmente ALI, e um terceiro antiátomo A´ AQUI (constituido por anti prótons, anti-neutrons e pósitrons) para reagir com A; dessa reação de A + A´ cria-se um raio gama de energia h*f= 2mo*c2 (”f” é frequencia da radiação, “mo” é a massa de A ou de A´ e “c” é a velocidade da luz no vácuo)
(2) TELEPORTE DAS PROPRIEDADES: Sim, no primeiro momento o que se faz é a cópia idêntica das propriedades de A (é como se estivessemos fotocopiando a “alma” do átomo; isto não é trivial a nível atômico e o princípio da incerteza tem um papel importante nessa dificuldade. Mas quando entra o transporte da coisa DAQUI para ALI (e não só das suas propriedades, aí vai o “corpo” do átomo. Isto envolverá MUITA energia. Digo envolverá porque o que descrevi é uma junção de possibilidades indo além do teleporte de 2004 envolvida no processo Esta parte sozinha existe; a da materia e antimateria virando gama e vice-versa também- juntar tudo ainda não existe, são só hipóteses nossas baseadas em possibilidades da Física Moderna.
(3) RETRICOTANDO: acontece que a blusa a ser retricotada é refeita usando não só o mesmo programa (matriz do newspaper) mas também o MESMO fio (ou papel do newspaper): é SOUL and BODY do mesmo objeto, nesta minha hipótese futurística, refeito átomo a átomo; ou melhor elétron a eletron e proton a proton… no fututo -Futurésimo- quem sabe vai tudo por atacado?
(4) LIGAÇÕES E FORMATO: Boa a sua pergunta – é exatamente aí que entra a questão da “alma”: os átomos são copiados EXATAMENTE no estado em que se encontram (na blusa, por exemplo). Logo, ao serem “informados” (na verdade isto é uma informação quantica) ALI, essa informação estará apta a reproduzir exatamente o mesmo estado de energia, ionizaçao ou magnética etc… e portanto até o sujo da blusa aparecerá lá.
(5) CRENÇA DOS FÍSICOS: é o que alimenta nossos sonhos. Faraday jamais imaginou que sua descoberta era a maior depois da invenção da roda; hoje sua lei alimenta 99,9% da geração de energia elétrica do Planeta (indução eletromagnética) e TODAS as telecomunicações, inclusive o impulso que levará esta mensagem até voce.
Abraços do
Prof. Aba
Física-UFMG
Caro Professor Aba,
Primeiramente, me desculpe pela confusão. Acho que na minha cabeça está tão presente o nome ALBA, que ao ler Aba logo pensei em um física, e não em um físico. E, de fato, Andrea é um nome masculino na itália. Realmente peço desculpas.
Espero que a Suzana não se importe em usarmos este espaço para debater sobre física. Em todo caso, eu aqui sou mais como o George (do livro de Stephen Hawking): muitas perguntas, mas ainda muito a aprender.
Agradeço pela sua postura de explicar as coisas com tanta paciência. A mente do ser humano é algo sensacional. É muito inspirador ver, ao longo da História e atualmente, as pessoas trabalhando e pensando no futuro. Há alguns dias, assisti a um programa que mostrava como funciona a fábrica de lâmpadas de Philips na Polônia. Quando o programa mudou a cena de dentro da fábrica para uma cidade iluminada à noite, o impacto foi realmente grande e acabamos refletindo sobre aqueles que, em seus laboratórios e escritórios, trabalham incessantemente para melhorar a vida da humanidade.
Abraços!
Hehehe
As discussões de física estão interessantes
E até que me teletransportar não seria uma má idéia.
Obrigada pelos comentários
[...] 27, 2008 por suzanacohen Pegando carona no penúltimo post (celular e carro: o que eles têm em comum)… Não é que já estão rolando carros [...]
Será que no futuro as empresas pagarão vale-teletransporte aos seus empregados? Essa é uma pergunta futurotrabalhista.
Inté.
[...] quanto à lentidão no transporte de massas (objetos). Aproveitei a visita para fazer alguns comentários sobre as reais possibilidades de teletransporte de grandes quantidades de matéria (no sentido do [...]
[...] Seguindo a tendência de produtos sendo oferecidos de graça – como já bem comentei por aqui e aqui (a exemplo de celulares e carros, como o Smart) – agora estou ouvindo que operadoras [...]
Cohen estou citando e indicando seu site, ok?!
Abraço
Sheila